sexta-feira, 7 de novembro de 2008

É a crise...

Lusco-fusquemos sobre este artigo de opinião do Fernando Alvim, publicado na edição de 23 de Outubro do Metro:


"Mania esta de termos de ser explorados no início da carreira, como se tivéssemos de ser sujeitos a uma qualquer humilhação. Mania esta das empresas se habituarem aos estágios não remunerados e findo os três meses “que era muito bom e tal, mas que infelizmente por razões logicamente financeiras não será possível integrá-lo!” Não interessa se era bom, se fazia falta, se tinha talento, se teve uma atitude diferenciadora em relação a todos os outros, o que interessa — isso sim — são os três meses. E os três meses acabaram e ali vêm outros. Mais três. Mais três meses.

É o preço da experiência. As empresas querem pessoas com experiência, mas novas, para não pagarem muito e por perceberem que estas ainda não têm bem a certeza de quanto é que valem. As pessoas com experiência, e com uma certa idade que já dói a deitar, sabem exactamente o seu preço. E o problema é esse. As empresas não gostam de pessoas que sabem o que valem e ao mínimo pedido de aumento: “Temos aqui sindicalista!” E daí tudo fazerem para não termos grandes ideias, nem termos muitas vezes razão, porque obviamente as melhores ideias valem dinheiro e isso pode levar à tal conversa a pedir aquela tal coisa que ainda há pouco falávamos. O aumento, lembram-se? Uma palavra maldita como aquelas que não se podiam dizer nos regimes ditatoriais e que é preciso falar baixinho e olhar duas vezes para um lado e para o outro, como se fôssemos atravessar uma estrada junto a uma curva de pouca visibilidade. Fala-se em aumento e os patrões pedem logo um copo de água e os medicamentos para a tensão arterial. Tem-se uma ideia que sabemos ser vencedora e logo o patrão, vendo que é tão boa, trata de nos tolher a alma como o frio nos dias de Inverno em que temos de ir trabalhar. Não interessa se é boa, o que importa mesmo é que o funcionário não cresça para não lhe pedir aquilo que sabemos. E depois, se houve uma ideia boa, “ele sim é que a teve” mesmo que esta seja um tudo-nada igualzinha à que lhe havíamos dado no dia anterior.

E assim, criou-se o hábito de só nos darem um aumento quando somos cobiçados por outra empresa e, aí sim, ouvimos aquilo que nos faz lembrar os primeiros dias em que íamos para a cama ranger paredes. Que somos muito importantes e tal, indispensáveis, essenciais para... bonitos para... tome lá dinheiro para... nem pense em sair para... E na maior parte das vezes, esta conversa já chega tarde para... porque a vontade de sairmos é imensuravelmente maior do que a de ficarmos para... A vontade de os fazermos perceber o quanto valíamos. De os fazermos saber o nosso valor quando sempre lhes havíamos dito. Gritando com a certeza do público do “Preço Certo”. Trazendo sempre bolinhos regionais para o Fernando Mendes."


Pois é! É a crise... a crise de valores!!!!

3 comentários:

Uena disse...

porra :| amanhã leio isto!
vou levar todo o dia p aí XD

beijola ma sis!espero q a massa esteja boa e a sobremesa e a conversa e coiso e tal :+

João disse...

Hoje em dia já não há valores humano-patronais...

Uena disse...

Lá está!
Ganda Alvim! Tem dito!